quarta-feira, 2 de outubro de 2013

sozinho e tanta gente

A palavra solidao parece um pouco contraditoria no mundo de hoje. Como podemos estar sós quando estamos rodeados de tanta gente ?

Estar só nao implica estar sem ninguém ao nosso lado, às vezes na sala mais cheia somos apenas um.




Cada vez nos isolamos mais e nos misturamos de uma forma 'fashion'.  Hoje em dia estar 'in' é ter montes de amigos na net  dos quais, infelizmente, muitos nem um bom dia dizem na rua.

O conceito só é ainda mais gravoso quando as pessoas deixam de conversar e fixam os olhos num monitor. Esta 'doença' evidencia- se nos cafés, restaurantes, na rua, onde o telemóvel ou outro aparelho serve para desviar o olhar ou até mesmo evitar uma conversa de uma família inteira, de um casal, de colegas de trabalho. (se é sítio que dê para se ligar ao mundo, melhor..... - mas já pensaram que também existe mundo à sua frente e presencialmente?) .

Conversar , trocar ideias, fazer um pequeno balanço do dia tornou-se algo raro. A tecnologia apoderou-se das nossas vidas e controla-nos os gestos, as ambiçoes, os sonhos.

Saber distanciar-se deste mundo tão oco mas ao mesmo tempo tão rápido para transmitir ideais é uma virtude. Como eram bons aqueles momentos em que se ansiava para chegar a casa para contar as peripécias da escola ou trabalho, falar com quem mais amamos, trocar ideias, falar sobre as novidades ou até mesmo sobre as notícias (por piores que sejam a passar na TV).

Estar só é estar fisicamente sozinho dentro de si e à sua volta. Quantas vezes já quisemos partilhar algo e não fizemos porque simplesmente os humanos presentes nem notaram a nossa presença?

Há quem esteja só por opção, há quem viva bem só, há quem faça por estar só e há quem abomine a ideia de ser um ser só...... Pois  como disse Mario Quintana : ...o excesso de gente impede de ver as pessoas.

Solidão não implica tristeza, solidão ajuda-nos a analisar as situações.


" em suma, todo o problema da vida é este: como romper a própria solidão, como comunicar-se com os outros."  - Cesare Pavese




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